A política eleitoral afetou o Brasil Mais Seguro em Alagoas?

Share Button

Foram R$ 210 milhões investidos pelo Estado e a União na segurança pública desde junho de 2012, em ações que deveriam fazer cair, em Alagoas, a quantidade dos chamados crimes violentos letais e intencionais (CVLIs), em patamares muito mais ousados que os aplaudidos pelo Ministério da Justiça e celebrados com velas pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). Mas como é que, após tanto tratamento especial do governo federal, ainda voltaram a subir vertiginosamente as ocorrências de mortes violentas no Estado? Por quê metas estabelecidas para a redução de tais crimes não foram cumpridas?

Esta é uma das perguntas não respondidas pela Secretaria de Estado da Defesa Social (SDS) e pelo Ministério da Justiça, cujas explicações para o quadro de crescimento da violência poderiam estar nas páginas da última edição de domingo da Gazeta de Alagoas, que revelou números oficiais indicativos de que a morte está vencendo a esperança na guerra contra o instinto homicida de uma população sem educação, sitiada pelos “mortos-vivos” do crack e “protegida” por polícias e órgãos de segurança tratados precariamente pelos gestores públicos.

Entre as perguntas não respondidas, está  uma que trata das contrapartidas importantes que o governador prometeu, antes da implantação do programa, para o início do segundo semestre deste ano de 2013. São os concursos públicos não concluídos para a Polícia Militar [1.000 praças e 40 oficiais], Polícia Civil [40 delegados, 240 agentes e 120 escrivães] e Instituto de Criminalística [40 peritos, 25 médicos legistas, 15 auxiliares de necropsia, 10 odonto-legistas e 5 papiloscopistas].

“Qual a dificuldade ou falha de gestão enfrentados que resultaram no não cumprimento dessas contrapartidas exigidas pelo governo federal para os investimentos do Brasil Mais Seguro?”, perguntava a reportagem aos subordinados do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) e da presidente Dilma Roussef (PT).

“Não pode fracassar”

Há quase três anos, Vilela pediu socorro ao ministro da Justiça Eduardo Cardozo, e aportaram pelas terras caetés técnicos de todo o País com soluções para serem implantadas no Estado mais violento do Brasil. Era março de 2011, quando aconteceu o “I Colóquio de Experiências Exitosas na Prevenção e Repressão de Homicídios”, cujo objetivo era transformar Alagoas em um laboratório para um projeto piloto de combate à criminalidade coordenado pelo governo federal.

Pouco mais de um ano depois, no Dia do Trabalho do ano seguinte, 1º de maio de 2012, a Gazeta de Alagoas divulgou em primeira mão o tratamento prioritário que o Estado receberia do governo federal para reduzir as mortes violentas. Cardozo chegou a afirmar que o fracasso do programa em Alagoas poderia ser entendido como o fracasso do País na luta contra o avanço da criminalidade. E ainda no último mês de setembro Vilela e ministro da Justiça comemoravam reduções de 18% no número de vítimas letais de crimes violentos intencionais em Alagoas, e de 26% em Maceió, obtidas desde o lançamento do programa, em junho de 2012.

Gazeta de Alagoas divulgou novos números e o silêncio eloquente do poder público

Gazeta de Alagoas divulgou novos números e o silêncio eloquente do poder público

Os novos números silenciaram os agentes responsáveis pelo Brasil Mais Seguro? Para sugerir quais explicações devem ser dadas às autoridades, repito aqui as demais perguntas enviadas às assessorias de imprensa da SDS e do Ministério da Justiça pela Gazeta de Alagoas:

- Por que Alagoas não conseguiu cumprir as metas de redução de CVLIs em dez dos 11 meses deste ano de 2013?

- O que os alagoanos podem esperar de ação para evitar que este ano seja menos violento que o ano passado, já que de janeiro até o mês de novembro de 2013 foram registrados mais CVLIs do que o mesmo período de 2012?

- O Brasil Mais Seguro Fracassou? Qual a saída para solucionar este quadro, já que os números sinalizam uma piora?

- O que faltou do governo federal ou do governo estadual, para evitar tal situação?

- As ações em outras áreas que influenciam na criminalidade falharam em Alagoas?

Crimes mais ousados

Com o quadro se agravando, Alagoas vem registrando crimes cada vez mais absurdos. Como aquele em que um homem foi encontrado esquartejado, dentro de uma mala, em Satuba.

Mas a ocorrência mais recente e que expõe a realidade motivadora deste quadro de retomada da violência teve como vítima o soldado Ivaldo, acossado em no grupamento policial do bucólico município de Porto de Pedras, por um bando de assaltantes que roubou armas e equipamentos da Polícia Militar arrastou o policial para ser executado em praça pública. A notícia deve movimentar as associações militares, já que a informação é de que o militar estava sozinho, no momento da invasão.

Dos males, o menor X Quanto pior, melhor

O Sonar Alagoas considera que, a esta altura, a melhor resposta do governador Teotonio Vilela Filho e do secretário da Defesa Social, Dário Cesar, respectivos pré-candidatos ao Senado e à Câmara Federal, seria a de que a política eleitoral praticada por ambos tenha resultado em ingerência nos órgãos de segurança pública e desviado o foco do Brasil Mais Seguro para longe do objetivo da redução das mortes violentas.

Oremos para que os gestores tenham se preocupado em adequar suas ações de combate ao crime, de acordo com as conveniências políticas. Porque, se o problema for técnico, o que o alagoano pode esperar para o ano eleitoral de 2014?

O silêncio dos gestores está falando mais alto que os estampidos mortais que vitimaram mais de 2 mil, já este ano. E talvez eles devam preferir acusar adversários políticos de 2014. Mas, mesmo se quisessem – e talvez queiram – os seus oponentes não teriam o poder de fazer estrago tão grande quanto os que estão traduzidos nos números produzidos pela nossa sociedade doente.

O governo tucano poderia fazer igual à sua propaganda institucional, em que o artista Eliezer Setton convida a população a “ver de perto” o que a gestão de Vilela tem feito de bom. Como seria um “vamos ver de perto”, mostrando as causas da retomada do crescimento da violência?

Share Button
Artigo de opinião, Política, Segurança Pública , , , , , , , , , , ,

Prefeito Rui Palmeira lamenta reedição da Taturana

Share Button

Fora da trincheira onde batalhou como deputado estadual durante a fase de apuração dos desvios de R$ 300 milhões em recursos da folha de pagamento da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), Rui Palmeira foi diplomático ao ser questionado pelo Sonar Alagoas sobre a postura do presidente afastado Fernando Toledo (PSDB), seu colega tucano acusado de ilegalidades na movimentação dos recursos do Legislativo.

“Me deixe fora disso, Davi”, brincou Rui, antes de iniciar a vistoria nas obras de urbanização do Vale do Reginaldo, na segunda-feira (25). Mas o prefeito não deixou de lamentar a reedição do escândalo, ao lembrar que ganhou inimigos, hoje colegas de partido. O motivo da ira dos tucanos foi a sua posição de cobrança pela moralização e transparência na Casa de Tavares Bastos, após a Operação Taturana, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 2007. Rui também lutou pelo afastamento dos membros da Mesa Diretora que era comandada por Antônio Albuquerque (PRTB).

“Você sabe das lutas que empreendemos na Assembleia e das dificuldades de relação que tive com deputados de todos os partidos, inclusive com os do PSDB. Mas, claro, temos que torcer que a Assembleia consiga dar as respostas para a sociedade. Isso é fundamental. E, claro, temos que lamentar essa situação sendo vivida novamente pelo Legislativo Estadual”, disse o prefeito, depois de negar se candidato a governador em 2014.

Rui Palmeira lembra de luta na Assembleia, diante de sua atual trincheira, escavada às margens do Salgadinho

Rui Palmeira lembra de luta na Assembleia, diante de sua atual trincheira, escavada às margens do Salgadinho

Ética e moralidade

Quando candidato pela coligação “Por Uma Nova Maceió”, há pouco mais de um ano, Rui Palmeira (PSDB) explorou a luta pela ética e a moralidade que travou em sua atuação na Assembleia Legislativa contra os parlamentares indiciados pela Polícia Federal (PF), após a Operação Taturana.

“O que eu achar que é errado e ruim para o cidadão de Maceió, pode ter certeza de que eu vou enfrentar da mesma forma que eu enfrentei os ‘taturanas’ na Assembleia. Podem ter certeza que eu vou ser um prefeito independente, como fui na Assembleia Legislativa”, dizia o prefeito em seu guia eleitoral.

Nova trincheira não deve ser despoluída

Ao tratar da retomada das obras Rui Palmeira foi realista, ao considerar que as obras de saneamento deste projeto orçado em R$ 120 milhões, divididos entre o município e o Estado, não garantirão a despoluição do Riacho Salgadinho, como prometia o ex-prefeito Cícero Almeida, que sucedeu Kátia Born (PSB), após esta chegar a afirmar ter realizado tal “despoluição”, ao se banhar na foz que leva esgoto para o mar da Praia da Avenida, no final de seu mandato, em 2004.

“Com isso aqui, somente, não iremos despoluir o Salgadinho. Vai ser minimizada a poluição, com certeza. Pois a carga de esgoto que deixará de ser jogada no Salgadinho é considerável. Todo o Vale do Reginaldo e parte do Jacintinho serão saneados. Vai minimizar. Mas, para você falar em despoluir um manancial como o Salgadinho, é algo mais custoso e mais caro, que leva tempo”, avaliou o prefeito.

Presentes à vistoria da obra, os líderes comunitários do Vale do Reginaldo, Antônio de Lima, o “Fuscão”, e Edivaldo Francisco, o “Durval”, se dividiam entre o sentimento de esperança e de cobrança pela finalização do projeto assinado em parceria com o governo federal em dezembro de 2007.

“A obra é importante, para a comunidade que vive ilhada, em plena área central. Para nós, a paralisação foi uma tristeza muito grande. E, por parte do Estado, a obra ainda está parada. Até agora, somente o município se prontifica. Cadê o Estado e a Caixa Econômica, que também são parceiros deste projeto?”, questionou Fuscão.

Apesar das críticas, o secretário da Infraestrutura de Maceió, Roberto Fernandes, avalia que o governo do Estado está avançando na construção dos postos policiais e de saúde, escolas e 1.512 casas divididas em 12 conjuntos habitacionais.

“Eles vão avançar muito mais para que nos dê condições para que concluamos esta obra dentro de três anos”, espera o secretário.

Na parte de habitação, o Estado somente concluiu 180 moradias. E a previsão da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra) repassada aos líderes comunitários foi de que as obras serão retomadas em janeiro de 2014.

Share Button
Jornalismo, Política , , , , , , , , , , ,

Renan e Vilela preparam dobradinha para 2014

Share Button

A agenda comum do governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), na manhã da segunda-feira (25), no Polo Industrial de Marechal Deodoro-AL, explicitou a reaproximação política da dupla que já venceu três eleições consecutivas como aliados, em 1994 e 2002, quando conquistaram mandatos de senador, e em 2006, com Renan apoiando a conquista do primeiro mandato do tucano para o Palácio República dos Palmares. Mas a presença de ambos no cenário do lançamento da pedra fundamental da indústria de revestimentos cerâmicos Portobello não tem apenas sentido institucional, mas também eleitoral.

Reaproximação ocorre após rompimento trágico após as eleições de 2006, em consequência da Operação Navalha

Agência Alagoas divulga Renan ao lado de Vilela e do prefeito de Marechal Deodoro, Cristiano Matheus (PMDB)

A reconstrução da dobradinha Renan e Téo acontece à proporção em que o peemedebista se afasta do projeto eleitoral do senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB), que ainda parece estar dividido entre a sucessão do governo estadual e o embate direto com Vilela na disputa pela reeleição do petebista ao Senado.

Com Collor, Renan dividiu palanques que sofreram derrotas nas duas últimas importantes disputas pelo governo do Estado e pela Prefeitura de Maceió: no segundo turno de 2010, contra Vilela reeleito ao vencer o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT); e em 2012, contra o prefeito Rui Palmeira (PSDB), apoiado discretamente por um Vilela já desgastado pela inércia de seu segundo mandato. Nesta última eleição, o grupo de Vilela derrotou a aliança de Renan, Lessa e Collor, no primeiro turno, após o ex-deputado federal Jurandir Bóia (PDT) substituir o ex-governador pedetista, cuja candidatura foi invalidada pela Justiça Eleitoral.

O assunto ainda é tratado com cautela por tucanos e peemedebistas em território alagoano, cujas assessorias não confirmam oficialmente a aliança. Mas o Sonar Alagoas entrou em contato com um colunista que faz a cobertura política em Brasília-DF e este confirmou ontem que a aliança entre Vilela e Renan já está sacramentada: “Eles fecharam sim. É o que dizem aqui”.  Já em território alagoano, o máximo de informação que o blog obteve junto a um assessor direto do governador é que eles “estão conversando” sobre a aliança.

Renan resgata "dobradinha" com Vilela e pode ser candidato a governador ou apoiar Renan Filho
Renan deixa oposição local e resgata dobradinha com Vilela. Pode ser candidato a governador ou lançar o deputado federal Renan Filho ao governo

A conversa anda tão avançada, que Renan acionou sua assessoria de imprensa para divulgar, ontem, sua presença ao lado de Vilela. No texto, trechos do discurso do presidente do Senado, que ressaltou que tem compromisso em priorizar o investimento público e privado para Alagoas e “somar esforços para o desenvolvimento”.

“Eu não conceberia um presidente do Poder Legislativo nacional que não aproveitasse a circunstância para dar sua contribuição legítima ao desenvolvimento de seu estado. Alagoas é um estado pobre, mas luta para criar condições de crescimento, e meu papel é este, de somar esforços; para isto estou à disposição de Alagoas em Brasília”, discursou Renan Calheiros.

O papel de Renan em 2014 ainda está indefinido. Fala-se que o senador faria a improvável troca da Presidência do Senado para se arriscar na disputa pelo governo do Estado. Mas o mais viável é o lançamento do deputado federal Renan Filho (PMDB), ex-prefeito de Murici, para disputar o Palácio República dos Palmares. Iniciativa esta que desancaria os propósitos do senador Benedito de Lira (PP) e do vice-governador José Thomaz Nonô (DEM) de obter apoio do governador tucano aos seus projetos de assumir o Executivo do Estado.

O tratamento carinhoso demonstrado entre ambos no evento de ontem da Portobello ocorre desde a recondução de Renan à Presidência do Senado. E deixa no passado o belicoso rompimento de uma duradoura parceria exercida entre Renan e o também ex-senador tucano, logo no primeiro mandato do filho do Menestrel das Alagoas, no primeiro semestre de 2007. À época, Vilela decidiu demitir o recém-indicado do peemedebista para a Secretaria da Infraestrutura de Alagoas, Adeílson Bezerra hoje no PRTB, após sua prisão na Operação Navalha, em maio de 2007.

O que é certo é que, além de não irritar a presidente Dilma Rousseff, que mantém boas relações com o governador tucano, tal dobradinha traz uma solução e tanto para a rejeição dos nomes de Benedito de Lira e de Nonô no ninho tucano, que por conta da ausência de opções caseiras de peso, chegou a sugerir a possibilidade de o prefeito Rui Palmeira (PSDB) abandonar um difícil início de administração para disputar o governo. Opção racionalmente descartada ontem pelo prefeito.

Apesar de meio tonto, o Sonar Alagoas vai tentar acompanhar as voltas que o mundo da política dá.

Share Button
Artigo de opinião, Política , , , , , , ,

Ainda não acabou a caçada ao “Preto do beco” de Alagoas

Share Button

Hoje é dia de comemorar, sim, a Consciência Negra, os avanços da sociedade contra o preconceito racial e o arremedo de inclusão social voltada para a população que é negra e pobre no Brasil. Mas também é dia de lamentar e refletir sobre a realidade do negro alagoano. Porque, ao contrário da poesia musicada “Preto do Beco”, que Pretinho da Serrinha e Leandro Fab fizeram para exaltar o preto “malandro guerreiro”, o jovem negro alagoano pode até “fortalecer geral” na comunidade, ter bom astral e bom coração; mas ainda é caçado como Zumbi dos Palmares foi há mais de três séculos.

Jovens negros alagoanos são caçados pelos becos na capital e no interior de Alagoas (Crédito: Felipe Brasil-Gazeta de Alagoas)

Negros alagoanos são caçados pelos becos na capital e no interior de Alagoas (Felipe Brasil-Gazeta de Alagoas)

Aqui, onde o Quilombo dos Palmares foi erguido como refúgio de escravos africanos e excluídos do Brasil Colonial, não há mais espaço para heróis com a cor da pele de Zumbi dos Palmares. É o que diz a pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada na véspera deste Dia da Consciência Negra: Alagoas é o Estado mais violento para negros no Brasil (G1). O motivo é a violência, que afeta toda a população alagoana, independente de sua etnia. Se para cada vítima de crime violento em Alagoas, 17,4 negros são mortos na terra de Zumbi, o “preto do beco” alagoano não dirá a verdade se cantar o refrão exaltando que seu beco vive em paz e amor.

Preto do beco (Pretinho da Serrinha e Leandro Fab)

Preto do beco, malandro guerreiro
Vive tranquilão, não liga pra dinheiro
Na comunidade ele é um bom parceiro
Fortalece geral

Preto do beco é da madrugada
Vive em paradeiro, vive pela estrada
Está na atividade pra qualquer parada
O cara tem um bom astral

Preto do beco, um ser iluminado
Mas de vez em quando prova do pecado
Seu papo não faz curva nem é de recado
Usa de bom coração

Preto do beco, uma obra prima
Veio do sufoco, hoje está por cima
Seu nome tá pintado no murão da esquina

(Refrão)
Sim, senhor
Hoje o preto tem o seu valor
E acabou… O beco vive em paz e amor

Esta homenagem do Sonar Alagoas a Zumbi dos Palmares quer evidenciar que o legado do Quilombo dos Palmares foi desapropriado da população pela mesma elite destruidora do sonho quilombola, que negou e ainda nega a oportunidade desses jovens negros conhecerem sua própria história e terem consciência de que são capazes de construir a própria liberdade.

Nos links abaixo, assista a interpretação de talentosos artistas brasileiros desta música que fala sobre a utopia que o “preto do beco” alagoano não vive em sua plenitude:

Preto do Beco (Pretinho da Serrinha e Moska)

Preto do Beco (Trio Preto + 1 e Seu Jorge)

Share Button
Artigo de opinião, Cotidiano , , , , , ,

Há sombras de 2014 sobre a formação da nova Mesa da ALE

Share Button

A dificuldade de aceitação de um nome para presidir a nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado (ALE) não tem relação com as características pessoais daqueles deputados estaduais mais cotados. Além das tentativas dos integrantes da Mesa afastada pela Justiça de prorrogar a eleição até uma eventual obtenção de liminar para retornarem aos cargos, as influências externas de políticos que buscam aumentar seus potenciais de votos para as eleições majoritárias de 2014 têm sido os maiores obstáculos a serem superados pelos parlamentares da Casa de Tavares Bastos.

O Sonar Alagoas apurou que a não aceitação do nome de Joãozinho Pereira (PSDB) partiu de alguns de seus próprios colegas tucanos, que temem perder o controle dos destinos do Poder Legislativo para o padrinho político de Joãozinho, o senador Benedito de Lira (PP), pré-candidato ao governo do Estado em 2014. Se vencer a disputa pela sucessão de Teotonio Vilela Filho (PSDB), Benedito de Lira poderá buscar a efetivação de Joãozinho como presidente da ALE, e os parlamentares temem que tal “empoderamento” do deputado tucano de primeiro mandato resulte no enfraquecimento de quem ainda detém o poder de barganha dentro da Casa de Tavares Bastos.

A mesma lógica ocorre no caso do nome de Jeferson Morais (DEM), até agora ainda não aceito pelo líder do PMDB, Olavo Calheiros (PMDB). O jornalista e radialista Jeferson é partidário do vice-governador José Thomaz Nonô (DEM), que também quer disputar o governo do Estado. Além disso, a proximidade de Jeferson com o senador Fernando Collor (PTB), seu patrão na Rádio Gazeta AM e, agora, na TV Mar, também assusta alguns integrantes da base governista, que pensam que o pré-candidato petebista ao governo ou à reeleição ampliaria seu poder junto ao potencial presidente da Assembleia e às suas bases políticas no interior do Estado.

Essa também seria o raciocínio seguido pelo deputado Olavo Calheiros, ao eleger o nome do colega Luiz Dantas (PMDB) como candidato a presidente da Assembleia. Dantas representaria o poderio político do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e a possibilidade de dar à Mesa do Legislativo um perfil oposicionista aos interesses de Vilela, Nonô e Collor (de quem anda se afastando politicamente). Tal perfil, temido pela base governista, abriria espaço para o fortalecimento do nome dos Calheiros e do PMDB para a disputa pelo Palácio República dos Palmares: o deputado federal Renan Filho.

Neste cenário, o ideal para o governador Teotonio Vilela Filho seria mesmo torcer por uma decisão judicial que devolvesse o poder ao presidente afastado Fernando Toledo (PSDB) e à sua Mesa denunciada pelo deputado estadual João Henrique Caldas (SDD) e investigada pelo Ministério Público Estadual (MP) por suspeitas de improbidade administrativa e outras ilegalidades cometidas na gestão dos recursos da folha de pagamento da ALE.

É 2014 chegando sombrio e traiçoeiro, em pleno novembro de 2013. Tudo sob um discurso de moralização, atendimento à “vozes das ruas” e de resgate de uma tal de credibilidade do Legislativo, que o povo alagoano não tem lembranças de ter conhecido.

Share Button
Artigo de opinião, Política , , , , , , , , , ,

Nelito nega conhecer assessora que disse lhe repassar salário

Share Button

Após o adiamento da sessão de ontem, o deputado estadual Nelito Gomes de Barros (PSDB) disse desconhecer a servidora da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), Elisângela Suely Santos, que revelou em depoimento ao Ministério Público Estadual (MP) que repassava seus salários de até R$ 10 mil para o deputado tucano. Leia aqui o post sobre o assunto.

“Não conheço aquela mulher e vou me defender sobre essa informação que ela passou em depoimento ao MP. Eu nego ter recebido esse dinheiro”, disse Nelito.

Share Button
Uncategorized

Jeferson Morais busca entendimento com Olavo Calheiros e Luiz Dantas

Share Button

Após o entrave de eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa convocada para ontem e adiada para a próxima terça-feira (19), o deputado Jeferson Morais (DEM) – que obteve o apoio para presidir o Legislativo de pelo menos dez dos 19 parlamentares votantes – conversa nesta tarde com os pivôs da falta de entendimento para sacramentar uma chapa que substituirá a Mesa afastada pela Justiça: os peemedebistas Olavo Calheiros e Luiz Dantas.

Em meio ao início de um jogo sujo de bastidores para expor os principais articuladores da nova Mesa, Jeferson Morais confirmou ao Sonar Alagoas que se encontra às 15h30 desta tarde com Olavo Calheiros, o líder do PMDB que defende o nome de seu colega de partido Luiz Dantas para suceder a gestão suspeita do presidente Fernando Toledo (PSDB), afastado pela decisão de sete juízes da 18ª Vara Cível da Capital.

“Será uma conversa importante, porque sabemos o quanto o deputado Olavo é respeitado pelos colegas parlamentares e temos a certeza de que a preocupação comum entre nós é a de que a Assembleia deve sair dessa letargia, dessa inércia. E a presença do deputado Luiz Dantas será  importante para o início dos entendimentos sobre esta chapa, da qual não faço questão de ser o presidente”, disse Jeferson, há alguns minutos.

Jeferson não confirmou detalhes do diálogo. Mas o blog apurou que deverá ser oferecida ao PMDB a segunda mais importante função na Mesa Diretora: a 1ª Secretaria, que comanda as finanças da Casa de Tavares Bastos.

Jeferson se reúne com Olavo e Luiz Dantas (Crédito: Assessoria)

Jeferson se reúne com Olavo e Luiz Dantas, em busca de consenso (Crédito: Assessoria)

Sobre os golpes baixos que surgem nos bastidores, o Sonar Alagoas foi alertado sobre a difusão de informações não confiáveis junto à imprensa, que objetiva sujar alguns nomes que lideram as negociações para a formação dessa nova Mesa.

Share Button
Uncategorized , , , ,

Na folha da ALE, 225 servidores recebiam Bolsa Família

Share Button

Também está na ação cautelar do Ministério Público contra parlamentares da Assembleia Legislativa de Alagoas: 225 servidores comissionados receberam simultaneamente o pagamento da Assembleia enquanto estavam cadastrados no Programa Federal Bolsa-Família, entre 2010 e 2012 .

Os casos mais gritantes e incompatíveis com declaração de pobreza apresentada ao Bolsa Família relatados pelo MP são os de:

  •  Manoel Martiniano Ribeiro (recebeu em 04/09/2012 o valor de R$ 22.459,22 pela Assembleia)
  • Maria Silvania G. Macedo (recebeu no dia 04/09/2012 o valor de R$ 34.561,43 pela Assembleia)
  • Joana Darc da Silva (recebeu entre 04/09/2012 a 17/09/2012 o valor total de R$ 44.578,62 pela Assembleia)
  • Gildo Gouveia dos Santos (recebeu no dia 11/09/2012 o valor de R$ 14.859,54 pela Assembleia)
  • Klaydson R. M. Silva (recebeu no dia 04/09/2012 o valor de R$ 34.561,43 pela Assembleia)
  • Nelma Martiniano F. Ribeiro (recebeu no dia 04/09/2012 o valor de R$ 34.561,43 pela Assembleia)

Importante também é lembrar quais foram os parlamentares afastados da Mesa Diretora:

Presidente

Fernando Toledo (PSDB)

1º Vice-Presidente

Antonio Albuquerque (PRTB)

2º Vice-Presidente

Sérgio Toledo (PDT)

3º Vice-Presidente

Jota Cavalcante (PDT)

1º Secretário

Maurício Tavares (PTB)

2º Secretário

Marcelo Victor (PROS)

3º Secretário

Marcos Barbosa (PPS)

4º Secretário

Dudu Hollanda (PSD)

Share Button
Jornalismo, Política ,

Prefeitos receberam salários ilegalmente na folha da ALE

Share Button

O Ministério Público Estadual também utilizou a presença de prefeitos acumulando cargos ilegalmente na Assembleia Legislativa, entre 2012 e 2013, como argumento para a decisão da 18ª Vara Cível da Capital que afastou os integrantes da Mesa Diretora.

Os prefeitos e ex-prefeitos citados na Ação Cautelar Preparatória de Ação Civil de Responsabilidade por Atos de Improbidade Administrativa são os seguintes:

  • Silvana Maria Cavalcante da Costa Pinheiro (Flexeiras)
  • Aloisio Rodrigues de Melo (Batalha)
  • Oberdan Tenório Brandão (Inhapi)
  • José Márcio Tenório de Melo (Maribondo)
  • Cícero Cavalcanti Araújo (São Luís do Quitunde)

Dos gestores listados, somente os dois primeiros exercem mandato atualmente.

Share Button
Jornalismo, Política ,

“Assessora” diz que deputado Nelito recebia seu salário da ALE

Share Button

A servidora da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), Elisângela Suely Santos, revelou em depoimento ao Ministério Público Estadual (MP) que seu padrasto e também servidor Carlos Antônio Moraes de Almeida, teria se apropriado de seus documentos e a incluído na folha de pagamento do Legislativo, em 2010. Ela revelou ainda que os vencimentos de até R$ 10 mil eram sacados pelo padrasto e seriam repassados ao deputado Nelito Gomes de Barros (PSDB). O assunto é manchete de hoje da Tribuna Independente e está na sentença da 18ª Vara Cível da Capital que afastou parlamentares da Mesa Diretora, já publicada no Diário da Justiça Eletrônico.

Ao MP, Elisângela disse que ”é pobre e enfrenta grandes dificuldades e não tem dinheiro para comprar roupas nem para ela, nem para os seus filhos. E já teve ocasião de faltar comida em sua casa, e teve que vir almoçar na casa de sua mãe, juntamente com seus filhos”.

Ela já não consta nas últimas duas folhas de pagamentos divulgadas pela Assembleia, de agosto e setembro. Mas seu padrasto, analista legislativo da Assembleia, mantém um padrão financeiro de mais de R$ 6 mil em salários nestas duas folhas.

Nelito já recorre de condenação do ano passado, proveniente da Operação Taturana

Nelito recorre de condenação proveniente da Operação Taturana (Foto: Assessoria)

Exonerada em julho de 2013, quando recebeu seu último pagamento, no início da divulgação das denúncias do deputado João Henrique Caldas, Elisângela contou ao MP que, todos os meses, ia para Maceió receber o dinheiro numa agência da Caixa Econômica Federal. E quando pegava o dinheiro e já deixava com o seu padrasto, que se apropriava do cartão da conta bancária, cujo número a depoente sequer soube informar ao MP.

“O dinheiro era entregue nas mãos do seu padrasto , e o seu padrasto levava o dinheiro até o apartamento do Deputado NELITO. (…) A depoente sempre soube que era o Deputado NELITO quem ficava com esse dinheiro”, diz a ação do MP

Filho do ex-governador Manoel Gomes de Barros, Nelito foi condenado no ano passado à perda de mandato e devolução de recursos, provenientes do esquema alvo da Operação Taturana, deflagrada em 2007 pela Polícia Federal.

O telefone celular do deputado Nelito estava desligado, quando o blog telefonou na manhã de hoje.

Share Button
Jornalismo, Política , ,